Viagem a Curitiba (pt.4)

O fato mais inusitado da viagem ocorreu justamente após chegarmos ao hotel. Estavamos cansados depois daquela longa caminhada. A primeira coisa que fizemos foi deitar cada um em sua cama e descansar um pouco. Depois de um tempo, Isaac Katlab foi tomar banho e aproveitei até para "tentar" tirar um chochilo. Algo que infelizmente não aconteceu porque fui obrigado a me deparar com uma certa voz rouca e desafinada ecoando no banheiro. Tratava-se do rapaz do boné verde da "wilson" cantando músicas sertanejas juntamente com seu pequeno celular. Ao mesmo tempo em que tentava acompanhar a voz que saía do aparelho, Isaac sem motivos aparentes, começava a dar gargalhadas. Após treze minutos de cantoria, ele finalmente saí do banheiro, logicamente já vestido e se deita em sua cama. Foi daí então que chegou minha vez. Resolvi esperar oito minutos para arejar o ambiente. Entrei e regulei a temperatura da água. Enquanto tomava meu relaxante banho, escuto um estranho barulho saindo da porta. Olhei para fora do box e reparei que o trinco se movia. Perplexo, rapidamente peguei a toalha na mão e fiquei imóvel. A porta estava trancada, pois nunca se sabe o que o jovem do outro lado poderia aprontar. E o fato de eu me precaver, salvou minha vida. Após quatorze segundos de agitação da porta, tudo se acalmou. O silêncio predominava no cômodo e podia-se ouvir somente o cair da água juntamente com minha respiração ofegante. Meu corpo ficou paralisado por trinta e dois segundos e logo em seguida, me lavei rapidamente e saí correndo para me secar. O medo maior foi no momento em que abri a porta. Podia sentir meu coração pular pela boca e minhas mãos estavam trêmulas. De forma vagarosa, abri a porta e me deparei com meu companheiro de quarto do outro lado, sorrindo de forma estranha. Foi neste exato momento que pensei: "ainda bem que eu já estou vestido". Ao avistar o cidadão me aguardando do outro lado da porta, disse: "saí fora daqui". Assustado, o rapaz se retirou e deitou-se em sua cama, ainda com aquele estranho sorriso na cara. Simplesmente fingi que nada daquilo acontecera. Deitei em minha cama e logo tudo voltou ao normal. Assistimos TV durante algum tempo e falei para descermos para procurarmos algum lugar para comermos (comida). Após mais uma longa caminhada, nada encontramos. Paramos em frente a um evento de jovens de quinze anos e continuamos a procurar um lugar. Depois de algumas horas, voltamos ao hotel e decidimos pedir uma pizza. Após vinte minutos, comemos (pizza) e fomos durmir cada um em sua cama, bem distante uma da outra.

No dia seguinte, tivemos que acordar muito cedo. Aproximadamente umas 9:06. Tomei um banho e descemos para tomar o tão esperado café da manhã. Uma única palavra define esse café matutino: decepcionante. Já fiquei em hoteis de pior estrutura com cafés muito melhores. No Bourbon não havia muitas opções e poucas mesas para muitas pessoas. Tanto que quase ficamos sem lugar para sentar se não fosse a bondade de um senhor a compartilhar sua mesa conosco. Comi alguns paezinhos com suco de laranja. Depois de meia-hora subimos e pegamos nossas malas. Descemos novamente e as levamos para o ônibus. A partir daí, cada um foi para um canto. Isaac Katlab foi para a PUC, no qual ele disse ter uma boa estrutura. Já eu, fui para o escondido Positivo, quarenta minutos do hotel (de ônibus). Sendo que um terço do trajeto, tive que ir de pé. Chegamos à faculdade um pouco depois das 11:00. O horário da prova estava marcado para às 13:00. Teria de ficar duas horas vagando por aquele lugar sem conhecer nenhuma pessoa se quer. Fiz a prova e até que não fui mal. Pode-se dizer até que fui bem, mas não bem suficiente para passar. Acabei a prova às 16:12. Teria que aguardar novamente até às 18h, já que algumas pessoas lerdas, levam todo o tempo integral para terminá-la. Novamente fiquei vagando até o horário. Na volta para o hotel, durmi quase todo o trajeto. Quando chegamos ao ponto de partida, lá estava Isaac Katlab encostado no muro com o pézinho esquerdo apoiado no muro e braçinhos cruzados, sinalizando ser um garoto de programa. Finalmente iríamos voltar para Maringá. Entramos no ônibus e partimos. Ainda teve mais uma parada. Comemos um lanche e voltamos para o ônibus. Assistimos "Sim, Senhor" no qual nosso amigo ex-genko não gostou e após o filme, todos simplesmente capotaram (dormiram), inclusive eu. Quando acordei, já estavamos em nossa querida cidade. Voltei andando para casa e desmaiei em minha cama. E essa foi a estranha viagem a Curitiba, com alguns fatos inusitados e um pouco mais.

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