Era justamente 24 de fevereiro de 2003 a data em que conheci esse rapaz. O mais incrível de tudo é que se passaram seis anos desde a primeira vez em que o vi e ele não mudou absolutamente nada fisicamente. Percebe-se pela foto ao lado que Renan P. Mendes continua com seus braços finos afeminados na grossura de uma asa de galinha. Nariz de batata e orelhas compridas. Cabelos curtos, alías, nunca mudara esse penteado. Mas voltando ao assunto, me recordo exatamente como foi a primeira vez que fui obrigado a conversar com essa pessoa. Eu estava sentado em minha carteira esperando que a aula começasse, quando de repente vejo um pequeno jovem de 1,44 de altura entrando pela porta, com andar rústico balançando seus ombros de um lado para outro de forma soberba e um olhar fuminante, encarando a todos que o cercavam, com o objetivo de amendrontá-los. Após se sentar próximo a mim (quase ao meu lado, fato um pouco estranho) passaram-se três minutos até que ele perguntasse: "que tipo de música você gosta?". A princípio, fiquei amendrontado, pois é um pouco estranho alguém chegar em um desconhecido e fazer esse tipo de pergunta logo de cara. Tímido, respondi: "ah cara.. gosto de tudo um pouco, mas principalmente Foo Fighters... e vc?", então ele disse: "gosto de axé, sou fã do Jacaré do É o Tchan!". Instantaneamente, uma palavra martelou em minha cabeça: gay. Fique imaginando aquele rapaz de baixa estatura descendo na boquinha da garrafa e robolando como uma galinha e fiquei enojado. No momento em que respondera minha pergunta, fiquei perplexo, mas tentei demonstrar tranquilidade, como se aquilo tudo fosse totalmente normal.
Passaram-se duas horas. Seria o horario do recreio. Então Renan disse: "Vamos descer lá na cantina ver o que tem para comer". Sem hesitar, o acompanhei até lá. Ao sentarmos em uma mesa, um jovem com a cabeça enorme e voz fanha se aproximou de nós e perguntou: "posso sentar aqui com vocês?" e eu disse: "senta aí". Com sua irritante voz fanha começamos a conversar. Seu nome era Bruno X. Rubim. O tamanho de sua cabeça e sua voz extravagante era o que mais lhe chamava atenção, mas com o passar do tempo, percebemos que ele seria um rapaz legal. Ao entrarmos na sala, um estranho menino estava sentado no lugar de Renan. Com suas sobrancelhas grossas, cabelo estilo Kurt Kobain e um boné bege, o garoto de Marialva chamado de Vinícius Boschini, logo se enturmara conosco.
O fato mais inusitado seria após duas semanas de aula. Renan P. Mendes começou a falar de um tal de "negão" sem qualquer fundamento. Ele inventava umas histórias sobre você estar encurralado em um certo cômodo de sua casa junto com o "negão" e quais seriam suas atitudes para evitar que esse ser lhe estuprasse. A cada resposta que você dava, ele encontrava alguma forma de te incurralar mais na história, até chegar ao ponto de você ficar sem nenhuma saída. Então refleti: "será que esse negão é algum trauma dele no passado? E foi a partir daí que começou minha desconfiança em relação a sua masculinidade. Com meus olhos de falcão, logo reparei também que ele encarava outros homens com intuito duvidoso. Foi então que lhe perguntei: "por que você fica encarando outros caras?". De forma ríspida, ele apenas disse: "pra impôr respeito, mano". Infelizmente, aquela resposta não me convenceu e logo fiquei mais desconfiado de tudo que estava se passando.
Depois de tudo, passaram-se alguns meses e o rapaz de pele pálida inventou uma brincadeira no qual fui totalmente contra: dar tapas na nádega dos outros. Era algo inaceitável e eu, logicamente, era totalmente contra. Quase brigamos para que ele parasse de fazer isso tipo de coisa. Talvez tenha feito algum efeito eu ter dito para ele parar, pois, com o tempo ele finalizou de vez com aquilo tudo. Mas isso tudo só alimentava minhas suspeitas. Estava tudo engasgado. Precisava chegar nele e dizer as palavras.
A coragem necessária veio dois dias depois de discutirmos. Era o horario do recreio. Chamei-o para conversar em particular e o levantei pelo colarinho. Minhas únicas palavras foram: "vira homem, rapaz!". Cabisbaixo ele apenas disse: "pô mano, vou tentar". Depois daquilo tudo, ficamos alguns dias sem conversar, mas valeu a pena. Ele finalmente parou de fazer esse tipo de brincadeira homossexual e inclusive até a olhar para as mulheres, algo que nunca havia feito antes. Vendo isso tudo, fiquei feliz e satisfeito. Apesar de rolar boatos de que Renan P. Mendes já teve um caso com Douglas Costa e Bruno X. Rubin, mas são apenas boatos e tenho certeza de que não são verdades.
Hoje ele já não fala mais desse tal "negão". Esta praticamente casado e já não tenho mais muito contato com o cidadão. Mas Renan P. Mendes me enche de orgulho ao se tornar homem, pois eu fico imaginando que tipo de caminho ele poderia ter enfrentado caso eu não tivesse lhe dado uma dura. Talvez a dona Oraide estivesse agora se lamentando por seu filho caçula estar na casa do tal "negão" fazendo não sei o que. Mas a realidade é outra. Renan, mostra pelo menos aparentemente ser homem e espero que nada disso mude.
1 comentários:
acho q essa história não é minha não!! acho q é sua biografia boy!!!
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