Finalmente a cidade de Curitiba. No momento em que acordei já estavamos em frente à rodoviária. Isaac estava sentado de ladinho na espera que alguém desse o bote, fato que felizmente não aconteceu por falta de pretendentes. Então lhe acordei apenas dizendo: "acorda, rapaz". Atordoado pela viagem, o rapaz de blusa verde cocô de cavalo desceu do ônibus em busca de terra firme e assim poder respirar o ar da nossa capital paranaense. Ao concretizar ato, ou seja, respirar esse tão esperado ar, o menino de tênis da puma tossiu imediatamente. Ao executar a ação, pensei ser o leitinho (choko-milk) descendo guela abaixo do cidadão, mas após se inclinar levemente para frente, o garoto da jeans da "ecko" falou: "meeeeeuuuu deuuuusss, que fedor! Parece que comi fezes!". Ao olharmos para o lado, avistamos um esgoto a céu aberto e imediatamente Isaac Katlab gritou: "ai, credo! Que cheirinho horrível". Minha atitude foi apenas olhar para ele e dizer: "Isaac, cala boca". Em seguida decidimos procurar algum lugar para que pudessemos tomar café da manhã. Durante o trajeto, estavamos totalmente perdidos e nosso amigo de boné da "wilson" decidiu procurar um cidadão curitibano para perguntar a localização de alguma panificadora próxima. Então, quando estavamos em uma avenida com pouca movimentação de carro e também de pessoas (eram 07:09), em uma calçada de larga passagem e deserta, surge uma moça com aproximadamente trinta e cinco anos, cabelos lisos, longos e castanhos (provavelmente pintado), olhos cor de mel, lábios carnudos, nariz fino, dentes brilhantes com um pequeno pedaço de alface próximo ao (dente) canino, blusa verde cacharrel com uma mancha bege próximo a cintura na lateral-esquerda, jeans azul-marinho da "lee" com um pequeno detalhe no bolso da frente na parte direita, meia-fina na cor preta da "luppo", um sapato bico fino e salto alto da "via uno" nº36 e uma bolsa preta de tamanho médio da "D&G" já um pouco desgastada. Ansioso em conversar com a assustada moça, Isaac a aborda de forma precipitada e totalmente inadequada gritando: "moça, moça", gesticulando com a mão para que a estranha mulher se aproximasse dele. Enquanto eu estava três metros atrás, o extrovertido rapaz se encontrava a dezenove centímetros dela e ao balbuciar no ouvidinho da curitibana, a gordinha começa a correr como se esse ato fosse o último de sua vida e ao mesmo tempo gritando: "ai meu Deus! eu não tenho nada, saí daqui! aiiiii!". Seus enormes peitos apenas saltitavam rapidamente a ponto que parecessem que iriam criar vida. Isaac fica boquiaberto com olhos arregalados sem que seu corpo fizesse qualquer movimento, reinando um silêncio que nos permitia ouvir nossa própria respiração. Então ele vira e fala: "japa, o quê que foi isso?". Pasmo, eu apenas gesticulo com os ombros que não sei. Sinceramente esse foi o fato mais marcante da viagem à capital. Após isso tudo, finalmente encontramos uma panificadora e novamente mais um fato inusitado: as mãos do esquecido rapaz estavam tremendo e seus olhos apenas olhavam com desdém. E eu percebi que quando ele está assim, o negócio dele é comer o famoso "enrolado de carne", um pequeno (9cm) salgado de forma cilindríca revestida com uma pele fina e recheada com carne dentro. E também sempre acompanhado de leite (choco-milk). O mais insólito disso tudo é que ele gosta de colocar o leite na ponta do "enrolado de carne" e antes de morder, nosso amigo utiliza a língua para retirar o leite do salgado, lambendo-o lentamente começando pelos lados e finalizando com a ponta. Talvez ele quissesse expressar alguma coisa com isso, mas será que alguém consegue entender uma coisa como essa? Enfim, após tomarmos nosso café da manhã, voltamos para a rodoviária e sentamos em um banco frente ao ônibus para descansar e depois de seis minutos voltamos ao nosso transporte. Ao chegarmos lá, a porta estava fechada e o motor já estava ligado, então o motorista abriu a porta, entramos e ouvimos nosso guia dizer no "walk-talk": "achei eles, pode deixar", enquanto todos nos olhavam com olhar de desprezo por fazê-los esperar por míseros minutos. Em outras palavras, quase ficamos presos na rodoviária! Breve a continuação dessa estranha viagem!
Viagem a Curitiba (pt.2)
Postado por
Fernando K.
sábado, 30 de maio de 2009
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